Do lado de cá

"Quando eu era vivo, ou encarnado como aprendi agora, acreditava em todo tipo de balbúrdia sobre o que teria do lado de cá.
Mas ao mesmo tempo me apegava demasiadamente forte a todas aquelas coisas sem as quais eu não poderia viver. 
Olha para mim agora, vivendo perfeitamente bem sem quarenta mil apetrechos saindo de cada bolso.
É, na verdade às vezes sinto falta desta ou daquela bugiganga, mas de tudo o que mais sinto falta é do que pude carregar comigo: a lembrança dos meus pais, meus filhos, meus irmãos e amigos, minha família maravilhosa em todos os defeitos, dos sorrisos e dos apertos de abraços.
O que quero dizer e deixar aqui bem gravado é que nós já sabemos o que realmente nos faz feliz, 
mas gostamos de procurar a felicidade em tudo quanto é coisa desimportante e quebradiça.

Tenho muitos amigos e muitas famílias [aqui na espiritualidade], e sinto que um dia estarei de novo com aqueles que ainda estão lá [encarnados], mas o que quero dizer, amigos, é que o mais importante de toda a sua vida é aquilo que você pode carregar com você para sempre: o amor, o carinho, a caridade, a lembrança daqueles a quem você ajudou, a felicidade sentida verdadeiramente quando todos os seus sentidos conseguem ficar no presente.

Com amor,
eu."

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